Assimagra

Recursos Minerais de Portugal

PEDRA NATURAL, SETOR AMBICIOSO E COMPETITIVO

Realizou-se o I Encontro Nacional do Setor da Pedra Natural – StonebyPORTUGAL SUMMIT, onde o mote foram os desafios que o setor da Pedra Natural atravessa, as mudanças necessárias e ainda o futuro otimista com que os empresários da área olham para o mesmo. Em conversa com a Revista Pontos de Vista, Célia Marques, Vice-Presidente Executiva da Assimagra – entidade que organizou o evento – fez um balanço deste encontro.

A ASSIMAGRA foi a entidade que recentemente organizou o I Encontro Nacional do Setor da Pedra Natural – StonebyPORTUGAL SUMMIT. Num período em que se prevê uma recuperação da economia, qual o balanço que faz das diferentes participações no mesmo? Que perspetivas a marcaram para, daqui em diante, alavancar ainda mais o setor, bem como a Assimagra junto dos associados?

Faço um balanço muito positivo, com momentos de reflexão e partilha de importantes temas da ordem do dia que afetam a nossa indústria e, acima de tudo, possibilitou olharmos para o futuro com a ambição numa economia a crescer, com mais produtividade, mais valor e mais competitividade internacional, mas também saber crescer não nos dissociando de um setor mais sustentável e eficiente na gestão dos recursos minerais e do território. Creio que foi lançada a fundação para o desenvolvimento de uma união que o nosso setor definitivamente precisa, união que será alavancada na marca setorial lançada, que também deu o nome ao SUMMIT – a StonebyPORTUGAL.

 

Sabemos que o setor da Pedra Natural tem vindo a presenciar uma forte transformação, pautada por um crescimento assinalável à escala internacional. Neste sentido, mantendo uma necessidade de que esta fileira evolua de forma sustentada a sua cadeia de valor, quais os maiores desafios?


O setor tem tido um percurso extraordinário nos últimos anos, principalmente na última década, desde o ponto de vista da inovação nas suas aplicações quer no posicionamento internacional em projetos de alto valor acrescentado. A diversidade de materiais, o saber-fazer português, associados a uma tecnologia altamente avançada e uma forte cultura relacional e comercial dos seus empresários, são parte substancial dos fatores que colocam Portugal no TOP 7 Mundial. Em 2021, tivemos um desempenho record nas exportações com 435 milhões de euros, com uma relevância acrescida no Produto Interno pela baixa incorporação de matéria-prima importada. Contudo, existem muitos desafios a ultrapassar que passam acima de tudo por um trabalho colaborativo em diferentes áreas, envolvendo associações, entidades de ID, empresas, gabinetes de arquitetura e design, entre outros intervenientes no setor, transferindo-se conhecimento e sinergias entre todos, e em diversas áreas, para efetivamente se contribuir para a valorização e posicionamento internacional da pedra natural e da indústria que representamos. Contudo, os desafios atuais são ainda mais exigentes. Os altíssimos custos de contexto decorrentes das crises energética, logística e de mão de obra são efetivamente os maiores fatores de bloqueio ao desenvolvimento e à competitividade das empresas deste setor. Como tal, da parte da indústria temos o desafio de melhorar a nossa eficiência energética e caminharmos para modelos de negócio inovadores para minimizar os custos de contexto, mas, da parte do Governo, é urgente a adoção de medidas de apoio à indústria, designadamente dar a possibilidade à indústria extrativa de utilizar gasóleo colorido, à semelhança dos nossos principais concorrentes como a Itália e a Espanha. Esta é uma das reivindicações de há vários anos da Assimagra, que agora, mais do que nunca, permitirá ajudar a enfrentar novas dinâmicas de posicionamento de produtos e a responder a mercados cada vez mais exigentes em termos de qualidade e inovação. Por outro lado, sendo este um setor que depende do território no acesso às suas matérias-primas, temos o desafio de continuar a evoluir para uma gestão mais eficiente dos recursos e do território, capaz de fazer face aos desafios da sustentabilidade e da coesão territorial.

 

Certo é que a inovação e transformação digital muito têm feito parte do percurso desta área. Para melhor compreendermos, que novas metas estão a ser traçadas no que diz respeito a esta revolução tecnológica? De que forma estes fatores contribuem para a evolução do setor?


A Pedra Natural para fins ornamentais tem prosseguido uma estratégia de valorização e certificação de produtos, de presença global nos Mercados externos, de trabalho junto de prescritores com abordagens inovadoras na apresentação dos produtos e funcionalidades da pedra e de inovação tecnológica. Atualmente as exportações portuguesas, em volume de negócio, contam com 70% de produtos de pedra natural processados e altamente processados, para 30% em bloco ou pouco processados. A tendência de futuro do setor será de continuidade na especialização em obras por medida, totalmente personalizadas e para produtos e projetos altamente complexos, e que valorizem cada vez mais a Pedra Natural Portuguesa. Passámos de uma fase onde se trabalhava a pedra na perspetiva pura e dura da dimensão, ou seja, cortar muito, rápido, igual e em cadências muito elevadas, para uma situação em que tudo passa pela customização e personalização. Esta modernização da indústria ocorre por ter existido um investimento e uma investigação muito profunda na lógica daquilo que são as capacidades tecnológicas de trabalhar a pedra. Passou a haver capacidade de fazer coisas que antes não eram possíveis. No entanto, essa primeira fase de investigação trouxe principalmente a tecnologia já existente em outros setores para adequá-la à indústria da pedra. Atualmente, vivemos uma nova mudança de paradigma relativamente à utilização da pedra, pois já não basta o uso direto de outra tecnologia. O trabalho da pedra foca-se na perspetiva ornamental ou dimensional, na perspetiva da seleção ou da sua conjugação com outros elementos e outros materiais, muitas vezes dando-lhe uma alteração ou uma utilização técnica diferente do que era uso.

Contribuir para o desenvolvimento tecnológico e económico do setor é a missão da Assimagra. Assim, que projetos estão a ser delineados para reforçar o posicionamento neste âmbito tão essencial a todos?


A par de grandes projetos nestas áreas liderados por empresas e pelas associações como a ASSIMAGRA, a Associação Cluster ou o StoneCITI, está em desenvolvimento uma Agenda Mobilizadora ao PRR do setor intitulada SUSTAINABLE STONE BY PORTUGAL, que pretende trazer novas oportunidades para a pedra como material de valorização de projetos, englobando parceiros estratégicos, desde empresas, entidades de ID e Universidades que irão contribuir para uma nova geração de conhecimento e de inovação na indústria. Estamos também a construir um roteiro à descarbonização e à circularidade de produtos para fazer face aos desafios da sustentabilidade atuais.

 

Após presenciar a participação de oradores das mais variadas entidades e empresas no StonebyPORTUGAL SUMMIT, qual considera que será o futuro da Pedra Natural em Portugal? A médio e longo prazo, de que forma este setor impactará economicamente o nosso país?


O futuro é precisamente a continuidade deste desígnio. Já não basta olhar para a pedra numa perspetiva meramente ornamental, mas sim trabalhar outras dimensões e isso trouxe-nos tantas alterações do ponto de vista do rumo a seguir que também aqui houve uma mobilização do setor no sentido de atacar de frente os novos paradigmas da indústria 4.0 e de toda a lógica da cadeia de valor e da integrabilidade dessa cadeia de valor.

 

 

In: Revista Pontos de Vista