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Recursos Minerais de Portugal

FILEIRA DA PEDRA JÁ VALE 3,7 MIL MILHÕES E SUSTENTA 73.800 EMPREGOS

Estudo da NOVA SBE apresentado no StonebyPortugal Summit evidencia impacto económico significativo do setor de recursos minerais

A indústria dos recursos minerais contribui com 1,29% do produto interno bruto (PIB) nacional e gera um impacto económico superior a 3.735 milhões de euros, muito para além da atividade direta das empresas do setor. Esta é a conclusão central de um estudo da NOVA SBE, coordenado por Pedro Brinca e João Duarte, apresentado no evento StonebyPortugal Summit 2026, realizado no Terminal de Cruzeiros de Leixões e organizado pela ASSIMAGRA – Associação Portuguesa da Indústria dos Recursos Minerais.

O trabalho académico mede o efeito de arrastamento da atividade sobre o resto da economia. Assim, conclui-se que por cada euro de Valor Acrescentado Bruto (VAB) gerado diretamente na indústria extrativa, são criados 3,08 euros na economia portuguesa. Cada posto de trabalho direto sustenta o equivalente a 3,54 empregos no conjunto do País. Ao longo da cadeia de valor, a atividade cria cerca de 73.800 postos de trabalho.

Os indicadores apontam ainda para um desempenho acima da média nacional, com a produtividade do trabalho a superar em 1,58 vezes a média da economia portuguesa. Nas contas públicas, o estudo estima uma receita fiscal total de 974 milhões de euros, enquanto as receitas municipais cresceram mais de 123% com a nova Lei de Minas, reforçando a transferência de valor para os territórios produtores.

Novos mercados e desafios logísticos

A ASSIMAGRA reconhece que os números demonstram que os recursos minerais constituem uma infraestrutura económica com forte capacidade de indução, a reforçar com maior articulação com a transformação industrial, inovação e setores como energia, mobilidade e defesa.

O encontro em Leixões reuniu decisores políticos e empresariais, autarcas e investigadores, em dois momentos: o Stone Day, dedicado à pedra natural, e o Mining Day, centrado na indústria mineira. Miguel Goulão, presidente da associação, reafirmou que “a pedra natural constitui um dos pilares mais sólidos da economia portuguesa” e que é necessário “transformar esse potencial numa estratégia nacional consequente, com decisões atempadas e uma visão integrada da cadeia de valor.”

Contudo, a fileira enfrenta pressões significativas. O aumento dos custos de transporte para o Golfo Pérsico, agravado pela instabilidade geopolítica desde fevereiro, pressiona a indústria portuguesa. A ASSIMAGRA estuda novos mercados, nomeadamente Índia e Mercosul, para reduzir dependência daquela região.

Estratégia Nacional para Recursos Geológicos

A fileira reclama processos de licenciamento mais transparentes e céleres, mantendo exigências ambientais, e defende que a Estratégia Nacional para os Recursos Geológicos 2035 seja um instrumento operacional, com prioridades, calendário e responsabilidades bem definidos.


Fonte: Jornal de Leiria | Autor: Jacinto Silva Duro | Data original: 30 de julho de 2026