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Recursos Minerais de Portugal

EXPORTAÇÕES DE PEDRA NATURAL ENCADEIAM SEGUNDO MÊS DE CRESCIMENTO E ATENUAM QUEBRA ACUMULADA

As exportações portuguesas de pedra natural totalizaram 271,7 milhões de euros no acumulado de janeiro a julho de 2026, uma quebra homóloga de 4,65% em valor e de 5,04% em quantidade (983 mil toneladas), segundo os dados do INE. O preço médio do produto exportado subiu 0,41%, para 276 euros por tonelada, e o setor exportou para 114 países ao longo do período.

A leitura mês a mês confirma a inversão de tendência iniciada em junho. Depois de um primeiro semestre marcado por sucessivas quebras homólogas — que se agravaram até maio, mês que registou o recuo mais acentuado do ano (-13,62%) —, junho trouxe o regresso ao crescimento (+3,30%) e julho consolidou essa recuperação, com um novo crescimento homólogo de 1,30% e um valor mensal de 47,7 milhões de euros, o mais elevado do ano. Estes dois meses consecutivos de crescimento permitiram travar o agravamento da quebra acumulada, que tinha chegado a 5,83% até junho e recuou para 4,65% no final de julho.

Análise por mercado de destino

Os mercados intracomunitários mantêm a maior fatia do valor exportado, 53,0% do total (143,9 milhões de euros), com os mercados extracomunitários a representar os restantes 47,0% (127,8 milhões de euros). Ambos os agregados recuam face a 2025, mas de forma muito desigual: a União Europeia contrai 7,48%, mais de seis vezes o recuo extracomunitário (-1,24%). O bloco EFTA é o que mais se aproxima da estabilidade (-0,57%), enquanto OPEP (-23,54%) e, sobretudo, PALOP (-50,00%, o valor exportado caiu para metade) mantêm pesos residuais no total exportado e registam as quedas mais acentuadas.

A França mantém-se como principal destino das exportações nacionais, com 20,3% do total (55,2 milhões de euros), mas continua a ser o mercado de topo com maior contração em valor (-16,92%, menos 11,2 milhões de euros face ao período homólogo). A China consolida o segundo lugar, com 38,7 milhões de euros, praticamente estável (+0,56%), seguida de perto pela Espanha, em terceiro, com 37,8 milhões de euros (+12,61%). Em conjunto, os três principais mercados representam cerca de metade (48,5%) das exportações nacionais.

Entre os restantes mercados de topo, destaca-se o crescimento da Índia (+58,00%, o maior ganho homólogo entre os 15 principais destinos), seguida do Reino Unido (+12,00%) e da Suíça (+8,81%). Em sentido inverso, o Koweit registou a maior quebra entre os 15 principais destinos (-49,92%), seguido da Itália (-19,59%) e dos Estados Unidos (-12,15%). Entre os mercados de menor escala, sobressaem os crescimentos do Canadá (+146,82%), de Israel (+67,93%), do Brasil (+62,81%), da Turquia (+59,93%) e da Federação da Rússia (+60,28%), ainda que partindo de bases reduzidas; a Dinamarca foi o caso mais penalizado, com um recuo de 31,96%.

Análise por tipo de pedra e segmento

O calcário mantém-se como a família de pedra dominante, representando 28,3% do valor total exportado (76,9 milhões de euros), seguido de perto pelo granito (26,7%, 72,4 milhões de euros) e pelo mármore (22,9%, 62,2 milhões de euros). Os pórfiros e basaltos (4,1%) e o xisto (1,5%) completam o cabaz, a par de uma componente não desagregada (16,5%), correspondente a códigos pautais que não permitem a identificação direta do tipo de pedra.

Na análise por segmento, a transformação mantém-se claramente dominante na cadeia de valor, representando 69,6% do valor exportado, face a 30,4% da extração — uma proporção estável face aos meses anteriores, que confirma o posicionamento da fileira nacional na criação de valor acrescentado.

Uma recuperação que se consolida

Depois de um regresso ao crescimento isolado em junho, julho confirma que não se tratou de um episódio pontual: são já dois meses consecutivos de crescimento homólogo, o segundo com o valor mensal mais elevado do ano. O quadro do período não é uniformemente negativo: a valorização do produto exportado mantém-se positiva, o setor alargou a sua base de destinos para 114 países, e mercados como a Índia, o Reino Unido, a Espanha ou o Canadá continuam a registar crescimentos expressivos. A quebra acumulada, ainda assim, mantém-se em território negativo (-4,65%), pelo que só os próximos boletins permitirão confirmar se esta recuperação é suficiente para inverter o sinal do ano.

Para uma análise mais detalhada, descarregue o Boletim Mensal de Estatística – Setembro 2026.