O aumento dos custos de transporte internacional para o Golfo Pérsico está a colocar séria pressão sobre a indústria portuguesa de pedra e minerais. Em declarações ao Jornal de Leiria, Miguel Goulão, presidente da ASSIMAGRA, descreveu o cenário logístico como “crítico” e “sem sinais de resolução”, sublinhando que o preço de transporte de um contentor para aquela zona — que anteriormente rondava os 1.600 dólares — triplicou, podendo atingir os 10 mil dólares quando somados os custos das rotas terrestres alternativas, impostas pelo encerramento de vários portos. Para evitar a paragem das unidades de produção, muitos exportadores estão a absorver os prejuízos, mas Miguel Goulão alerta que a fatura deste conflito chegará ao consumidor, com uma “inflação demolidora” à vista.
Face a esta instabilidade, o setor está a redesenhar rotas comerciais e a explorar novos mercados. A Índia e o Mercosul — onde os acordos com a UE reduziram significativamente as taxas de importação — estão no radar, com a pedra portuguesa já a entrar no mercado brasileiro livre de taxas. África, nomeadamente a Nigéria, surge também como destino em crescimento. Mas, como reconhece o presidente da ASSIMAGRA, a transição é lenta: “os mercados demoram muito a fazer. Demora tempo a cimentar a nossa posição e podem passar meses e até anos.” A ASSIMAGRA acompanha de perto esta evolução, apoiando as empresas associadas na adaptação a um contexto internacional cada vez mais exigente.
Fonte: Jornal de Leiria, 25 de junho de 2026