
As exportações portuguesas de pedra natural totalizaram 147,7 milhões de euros no acumulado de janeiro a abril de 2026, uma redução homóloga de 4,8% em valor e de 6,2% em quantidade, segundo os dados do INE e do Eurostat. A contração mantém-se, mas a um ritmo claramente mais moderado do que nos meses anteriores: a quebra acumulada, que era de 8,2% até fevereiro e de 7,4% até março, recuou agora para 4,8%. Em paralelo, o preço médio do produto exportado subiu 1,45%, atingindo 274,78 €/tonelada, e o setor exportou para 96 países ao longo do quadrimestre.
A leitura mensal confirma uma trajetória de recuperação progressiva ao longo do primeiro quadrimestre. Depois de uma quebra homóloga de 12,1% em janeiro, o ritmo de contração atenuou-se de forma consistente — para cerca de 4% em fevereiro e março — e inverteu o sinal em abril, mês em que as exportações cresceram 0,4% face ao período homólogo, totalizando 39,99 milhões de euros, acima dos 39,81 milhões registados em abril de 2025. Trata-se do primeiro mês de 2026 com variação homóloga positiva, um sinal relevante a confirmar nos próximos boletins.

Análise por mercado de destino
Os mercados intracomunitários concentram 55,1% do valor exportado (81,4 milhões de euros), enquanto os mercados extracomunitários representam os restantes 44,9% (66,3 milhões de euros). Ambos os agregados registam recuos homólogos — de 5,9% e 3,4%, respetivamente — sendo a contração mais expressiva, em valor absoluto, a da União Europeia. Os blocos EFTA (-10,6%), OPEP (-43,5%) e PALOP (-51,8%) mantêm pesos residuais no total exportado e apresentam as quedas relativas mais acentuadas.
A França mantém-se como principal destino das exportações nacionais, concentrando 21,8% do total exportado com 32,2 milhões de euros, mas continua a registar a maior contração em valor entre os mercados de topo (-12,5%, menos 4,6 milhões de euros que no período homólogo). A China consolida o segundo lugar, com 21,9 milhões de euros e um crescimento expressivo de 15,5%, enquanto Espanha ocupa o terceiro posto, com 20,4 milhões de euros e uma subida de 4,6%. Em conjunto, os três principais mercados representam cerca de metade das exportações nacionais.
Entre os restantes mercados de topo destacam-se vários crescimentos relevantes: a Índia foi o mercado com maior ganho homólogo (+75,8% em valor e +110,2% em quantidade, mais 2,5 milhões de euros), seguindo-se o Reino Unido (+17,9%), a Suécia (+8,9%), a Alemanha (+7,0%) e a Bélgica (+5,1%). Em sentido inverso, os Estados Unidos da América recuaram 20,7% e a Arábia Saudita 26,3%. Entre os mercados de menor dimensão, sobressaem os crescimentos do Canadá (+288,6%), de Israel (+129,5%), do Brasil (+64,1%) e de Marrocos (+61,7%), ainda que partindo de bases reduzidas.
Análise por tipo de pedra e segmento
O calcário mantém-se como a família de pedra dominante, representando 29% do valor total exportado (42,1 milhões de euros), seguido de perto pelo granito (27%, 40,2 milhões de euros) e pelo mármore (21%, 31,6 milhões de euros). Os pórfiros e basaltos (3%) e o xisto (2%) completam o cabaz, a par de uma componente não desagregada (18%), correspondente a códigos pautais que não permitem a identificação direta do tipo de pedra.
Na análise por segmento, a transformação continua a dominar a cadeia de valor, representando cerca de 69% do valor exportado, face a 31% da extração — proporção que confirma o posicionamento da fileira nacional na criação de valor acrescentado.

Uma tendência a confirmar
A trajetória de 2026 mantém-se abaixo da generalidade dos anos recentes, mas a combinação entre o abrandamento sustentado do ritmo de queda, o regresso de abril ao crescimento e a valorização média do produto constitui um conjunto de sinais positivos a acompanhar. Ainda que seja prematuro confirmar uma inversão consolidada da tendência, os dados do primeiro quadrimestre apontam para uma estabilização progressiva do desempenho exportador da pedra natural portuguesa.

Para uma análise mais detalhada, descarregue o Boletim Mensal de Estatística.