
As exportações portuguesas de pedra natural totalizaram 187,3 milhões de euros no acumulado de janeiro a maio de 2026, uma quebra homóloga de 5,85% em valor e de 6,48% em quantidade, segundo os dados do INE. O recuo acumulado, que se vinha a atenuar mês a mês desde janeiro – a ponto de abril fechar em terreno positivo, com um crescimento homólogo de 0,78%, voltou a alargar-se em maio. O preço médio do produto exportado subiu 0,68%, para 271,16 €/tonelada, e o setor exportou para 105 países ao longo dos cinco primeiros meses do ano.
A leitura mês a mês ajuda a situar este travão. Depois de uma quebra homóloga de 12,08% em janeiro, o ritmo de contração atenuou-se de forma consistente para cerca de 4% em fevereiro e março, até abril inverter o sinal. Maio interrompeu essa trajetória: as exportações do mês totalizaram 39,3 milhões de euros, menos 10,09% do que os 43,7 milhões registados em maio de 2025 – o recuo mensal mais acentuado desde o início do ano, superado apenas pelo de janeiro. O acumulado do ano passou, assim, de uma quebra de 4,65% até abril para 5,85% até maio, um nível próximo do registado em março.

Análise por mercado de destino
Os mercados intracomunitários mantêm a maior fatia do valor exportado, 55,1% do total (103,2 milhões de euros), com os mercados extracomunitários a representar os restantes 44,9% (84 milhões de euros). Ambos os agregados recuam face a 2025 (-5,53% e -6,24%, respetivamente), com a União Europeia a registar a contração mais expressiva em valor absoluto. O bloco EFTA destaca-se pela positiva (+16,51%), enquanto OPEP (-45,18%) e PALOP (-52,11%) mantêm pesos residuais no total exportado e apresentam as quedas mais acentuadas.
A França mantém-se como principal destino das exportações nacionais, com 21,3% do total (39,8 milhões de euros), mas continua a ser o mercado de topo com maior contração em valor (-14,59%, menos 6,8 milhões de euros face ao período homólogo). A China consolida o segundo lugar, com 26,6 milhões de euros e um crescimento de 6,14%, seguida de perto pela Espanha, em terceiro, com 26,2 milhões de euros (+6,07%). Em conjunto, os três principais mercados representam cerca de metade das exportações nacionais.
Entre os restantes mercados de topo, destacam-se os crescimentos do Reino Unido (+15,34%), da Índia (+59,05%, o maior ganho homólogo entre os 15 principais destinos) e de Itália (+11,62%). Em sentido inverso, os Estados Unidos recuaram 24,78% e a Arábia Saudita 33,75%, duas das quebras mais acentuadas entre os mercados de maior dimensão. Entre os mercados de menor escala, sobressaem os crescimentos de Israel (+118,36%), da Federação da Rússia (+90,07%), do Canadá (+87,79%) e do Vietname (+80,96%), ainda que partindo de bases reduzidas; o Koweit foi o caso mais penalizado, com um recuo de 62,81%.
Análise por tipo de pedra e segmento
O calcário mantém-se como a família de pedra dominante, representando 27,2% do valor total exportado (51 milhões de euros), seguido de perto pelo granito (27,0%, 50,5 milhões de euros) e pelo mármore (22,4%, 42 milhões de euros). Os pórfiros e basaltos (2,9%) e o xisto (1,6%) completam o cabaz, a par de uma componente não desagregada (18,9%), correspondente a códigos pautais que não permitem a identificação direta do tipo de pedra.
Na análise por segmento, a transformação mantém-se claramente dominante na cadeia de valor, representando 69,7% do valor exportado, face a 30,3% da extração – uma proporção estável face aos meses anteriores, que confirma o posicionamento da fileira nacional na criação de valor acrescentado.

Uma recuperação interrompida

Depois de um primeiro quadrimestre que apontava para uma estabilização progressiva do desempenho exportador, maio interrompeu essa trajetória. Ainda assim, o quadro dos primeiros cinco meses do ano não é uniformemente negativo: a valorização média do produto exportado mantém-se positiva, o setor alargou a sua base de destinos para 105 países, e mercados como o Reino Unido, a Índia ou o Canadá continuam a registar crescimentos expressivos. Resta saber se maio foi um contratempo pontual ou o início de uma nova fase de contração — uma leitura que só os próximos boletins permitirão confirmar.

Para uma análise mais detalhada, descarregue o Boletim Mensal de Estatística – Julho 2026.